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sábado, 2 de junho de 2012

Contos da Noite

Reascenda a chama que jás apagada senhor;
reavives o fogo que queima em meu coração,
ataudes vazios, jás ressuscitados os mortos, ou
vagueiam os vampiros na escuridão?

Oh arqueiros das antigas gerações donde vieram vós?
Armados de suas flechas assassinas,
alarmais os ventos
com os sibilosos cortes de tuas armas,
oh varais o peito dos monstros notifagos.

Oh que esta noite terrível não finda,
meu coração jás na treva eterna,
no frio gelo de inverno;
queiras mil vezes que eu morra,
queiras eu mil vezes que eu suma;
prefiro não estar mais aqui.

Depois de viver esses horrores da noite, 
correr para longe,
é o mais provável, mas a dor de viver
continua a me acompanhar,
com posso ainda estar correndo,
com o coração sangrando de dor?

Vidas passam e eu aqui,
sofrendo minhas tristes e miseráveis lembranças,
queira um dia ver a aurora,
queira um dia morrer sob o sol quente,
queira um dia as flores da primavera
enfeitar meu túmulo;
queira um dia eu fechar meus olhos,
e cerra-los na paz das flores!


Olhe pra mim e me veja infeliz;
sou tão desprezivel;
reviver uma vida de dor,
de desamores,
de desordens e de medos;
abandonos incontavéis,
deixe-me aqui para perecer e morrer.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

No Jardim das Rosas

 
Te dou uma das minhas rosas,
uma das que estão no meu jardim
mortuário.

Dou-te qual rosa?
A Vermelho Carmim,
A Branca de Neve,
a Aurora Dourada ou
o Príncipe Negro?

A Vermelho Carmim,
do sangue colore-se,
tinge-se das batalhas,
dos corações emerge o
pincel,
dos enamorados,
planta e dá raízes.

A Branca de Neve,
na pureza ela floresce,
no jardim da inocência,
exala o perfume,
dos grandes santos, exala o doce e divino aroma,
do puríssimo Seio Virginal,
trouxe a Assinatura da vida.

Aurora Dourada então?
oh, desabrocha em silêncio;
quieta e isolada,
nunca se pronuncia,
até que possa estar aberta.

Se nenhuma destas te agrada,
somente o Príncipe Negro,
te deixa perfeita;
um buquê deles?
Qual realeza eles demonstram?
São belos porém, relembram a Morte; os trarei do jardim dEla!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Reflexão Pela Morte

Nos tûmulos o silêncio,
o grave ruído dos passaros ecoa,
em torno das lápides vagueia, o curto momento,
de pedras que caem, como
chuva;
eis aí o meu momento de mais silêncio;
na morte, e não na vida.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Silêncio

No silêncio...
flutuo nas leves brisas da noite,
pouso no piso frio de marmore negro;
a cada expiração, é como
esvaziar-se;
é como cuspir tudo que te engasga.
Na luz da Lua,
as sombras choram,
mas tudo no mais perfeito silêncio;
e uma cena sobrenatural,
ma snada que possa ser tão fatal,
nada vai ser tão ruim,
é no silêncio
que tudo se mostra, 
a arte das artes,
a opera das operas,
a cena das cenas,
a comédia das comédias, 
a tragédia das tragédias...
agora é hora de dizer adeus,
adeus à noite,
a Lua, ao sotão, adeus ao silêncio,
por que agora, vou voar para não voltar mais.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Vingança

Me abandonar não vai
te trazer a paz de volta.

Me largar, não vai ser
o remédio para a dor. 
Você acha que me matando
vai ser a solução? Engana-se.

Vou te caçar como uma
besta caça a presa.

Você me abandonou, me largou ferido no meio do caminho,
gritei por ajuda e você me ignorou.

Vou te assombrar como um monstro no armário;
vou te perseguir até o abismo do medo te engolir.

Vou quebrar tua paz em pedaços, 
você vai se arrepender de me jogar no lixo.

Nunca mais verei teu rosto,
mas me vingarei de todos os mentirosos.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Para Nunca Mais

     Estarei enfim liberto;
voarei para o longinquo 
pilar do horizonte,
onde todos os doloridos corações
repousam para chorar suas
lágrimas vermelhas;
derramarei eu mesmo
meu coração aos pés do pilar
para proclamar
que nunca mais, 
me apaixonaria por ninguém
que não merece-se
meus sentimentos.

 Será aqui então minha eternidade,
onde a terra do nunca
invadirá meus dias finais, e assim,
elevarei a
cada pôr-do-sol,
um suspiro de dor,
e no fim da morte do astro-rei,
fecharei minhas asas 
e dormirei esperando pelo dia
torturante que chega.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Meu Último Apelo

Quando os céus caírem,
eu estarei lá,
para aguardar esta ruína apocalíptica;
verei que um sonho se desfaz nas notas de musicas tão fugazes...
notas tão vorazes,
notas que desaparecem como vento...
notas que silenciam,
notas que me distânciam,
nota que me desafiam.

Seriam essas notas que ainda reavivam no meu coração,
estes sentimentos que assassino com o amanhecer de um novo céu?
Ou eu os cuspirei como uma droga velha,
que já não desce pela garganta por ser amarga demais?
Estarei aqui aguardando... mais uma vez...

E outras vezes o sol nascer,
os pássaros cantarem,
e a chuva cessar,
verei os violinos rasgarem o silêncio,
mas agora o que rasga-o... é o vento vagaroso que sopra,
é o chiado murmurante destas folhas ao chão!

Estarei do lado do teu túmulo quando partir,
sentirei um nojo por não ter estado mais forte,
sentirei-me tão podre por nunca ter feito mais
por você mais por nós; mais por tudo,
agora este tudo, se desfaz em poeira,
por que eu me derramei nas águas e virei lama. 
Estarei sendo sempre o palhaço que um dia alegrou a todos,
que trouxe o riso solene,
que trouxe o sol perene nas faces dos tristes,
mas agora, o sol se esconde e eu,
o palhaço fulgurante, se desfaz em prantos comoventes,
ao tocar o violino, tão lacrimoso e tão infeliz,
pois a alegria acabou,
secou o pote, e não pode ser preenchido.

Estarei por último, sentado frente a porta,
esperando eu mesmo voltar,
pois um dia eu sai  eme esqueci aqui sozinho;
esqueci de mim mesmo neste solar deprimente;
sinto saudades de meus risos;
quero que voltes logo,
pois a foice da Morte,
aperta meu pescoço e sufoca minha alma!

Adentrar As Sombras

Agora bastou minha existência.
Porei um fim nesta escuridão,
vou me adentrar de vez nela;
quero me desintegrar nesta escuridão total.

Canso de gritar por socorro e nada;
canso de correr para a luz, e ela não chega;
canso de querer ver meus amigos, e eles não existem;
canso de tentar lutar pela vida, pra que? Se agora estarei na morte?!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Desisto

Desisto de querer enfrentar a vida;
desisto de tudo o que me prende a ela,
desisto dela,
desisto de meus afetos, 
amizades, companheiros,
objetos de valor sentimental;
desisto de tudo o que um dia me dava alegria, por que hoje
me arrancam o coração;
quando eu cortar a parede com minhas unhas,
quando eu sangrar,
quando eu não conseguir mais ficar em pé; quero enfim, atirar em mim
e terminar de sofrer.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Não Quero Ouvir

 

Não me diga mais onde eu estou errado;
não me diga por onde devo mais começar,
quero morrer aqui no escuro,
quero simplesmente perder minha consciência
e nunca mais encontrá-la.

 Não vivo mais pra nada, estou sendo controlado,
todos vivem minha vida, não tenho tempo para poder
respirar,
quero agora me perder de vez da vista de todos;
quero que esqueçam de minha existência.

 Nesta praia frente ao mar revolto,
neste dia chuvoso e nublado,
desejo nunca mais voltar,
nunca mais vê-los, quero ficar aqui,
não tenho mais vida, ela me machuca agora!
 Não sentiram minha falta!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Oceano das Almas



É tarde, já cai o véu da Noite;
escuro e assombrado este mar,
minha curiosidade me move
a descobrir.

Parto então do porto, para o alto mar, eu somente com uma lanterna,
luz semi-apagada, vaga,
silenciosas remadas.

A frente escuto gemidos,
lamentos, sussurros,
tristeza; um canto perdido no oceano,
em que ninguém ousou chegar.

A lanterna vacila em querer
apagar-se, quando o vento
em lamurias sopra, mas logo acalma-se,
e vem então pequenos orbs no ar!

Sóis em miniaturas, tão leves e
pasmos com minha presença; dançam ao redor do barco sem medo;
como que pedindo para serem socorridos.

Estas bolinhas de luz,
são as almas que aqui se afundaram;
perdidas vagueiam,
juntas, resplandecem de vergonha.

Aquário Vazio


Eu era um aquário vazio,
um poço seco,
não possuía uma vida,
e nem agora eu tenho.

 Sou um ser vazio;
quando arranhava as paredes
tentava perfurar sua alma dura;
quando não conseguia, me ajoelhava
e chorava.

 Vou estar no próximo momento vazio,
 vou estar aqui tão longe,
não me chame,
posso estar dormindo;
ou então, posso estar morto;
pois sou vazio!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011



 Nessa escuridão, risco um fosforo no pavio da vela,
a luz, fosca e semi  viva, me ilumina uma
pequena parte do caminho, nada muito forte, mas
me dá o lugar de onde pisar, perto disto,
procura me sentar e esperar até amanhecer,
quando enfim poderei enxergar melhor,
melhor adormecer,
pois fará com que as horas voem,
mas como dormir neste escuro?
 Algo me incomoda,
algo me revolta e me anseia,
minh'alma está inquieta,
meu espirito está a todo vapor,
as sombras não se movem,
estou com medo, mas não temo muito,
somente adormeço com a vela iluminando,
assim pelo menos afasta as sombras pesadas,
me dá um pouco de segurança, até de manhã.

Perdido Pelas Sombras




 De noite, sem rumo,
vago pelos vastos bosques,
sem medo, só a procura de algo;
de meu caminho perdido,
perdido eu, na escuridão.

 Os dias já não brilham,
cinzas como de um cadáver cremado,
espalhada pelas trilhas,
arrastando meu manto escuro,
numa agonia sem fim.

 Perder-se nesta floresta da noite,
é perder-se no vasto campo da loucura,
onde somente você, é o perdido,
só você é  o caminho, e só você
é a porta de saída.

 Ou eu me acho e me salvo,
ou me perco eternamente,
agonizo em minhas dores,
definho sem esperanças,  e morro,
sem ver a porta de libertação!