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sábado, 2 de junho de 2012

Contos da Noite

Reascenda a chama que jás apagada senhor;
reavives o fogo que queima em meu coração,
ataudes vazios, jás ressuscitados os mortos, ou
vagueiam os vampiros na escuridão?

Oh arqueiros das antigas gerações donde vieram vós?
Armados de suas flechas assassinas,
alarmais os ventos
com os sibilosos cortes de tuas armas,
oh varais o peito dos monstros notifagos.

Oh que esta noite terrível não finda,
meu coração jás na treva eterna,
no frio gelo de inverno;
queiras mil vezes que eu morra,
queiras eu mil vezes que eu suma;
prefiro não estar mais aqui.

Depois de viver esses horrores da noite, 
correr para longe,
é o mais provável, mas a dor de viver
continua a me acompanhar,
com posso ainda estar correndo,
com o coração sangrando de dor?

Vidas passam e eu aqui,
sofrendo minhas tristes e miseráveis lembranças,
queira um dia ver a aurora,
queira um dia morrer sob o sol quente,
queira um dia as flores da primavera
enfeitar meu túmulo;
queira um dia eu fechar meus olhos,
e cerra-los na paz das flores!


terça-feira, 29 de maio de 2012

Te Deixo em Pedaços

No fim é onde você parou,
foi onde meu coração explodiu de tristeza.
Todos os meus dias,
que eu quis que fossem iluminados
pelo solda tua face,
foram apagados,
como se fosse uma lâmpada queimada;
as varias horas que te contemplava,
me davam ânimo,
mas agora, só sinto
um imenso vazio sem você,
você mesmo me deixou,
fiquei do outro lado da ponto vendo o vazio me preencher,
como pode ser tão cruel?
Aquela tua voz tão suave quanto o cheiro de 
um perfume de uma rosa,
desabrochando na primavera,
virou agora, o nada
num dia avermelhado;
por que você saiu?
Não entendo por que você me deixou na ponte e te ver partir,
você me deu uma escolha que eu não quis,
me deu um momento de dor,
me deu a solidão no teu lugar.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Catedral Interior

De ti nem as eras derrubam uma pedra;
oh Catedral,
no final és imortal,
tal,
um sussurro
tão potente,
onipotente,
tão severa,
nas eras,
erguida,
pedra por pedra,
sois viva,
mesmo morta,
és o abrigo,
mesmo estando fechada;
adentras os séculos, 
sem se mexer,
a Catedral,
tão importante,
edifício de mim mesmo,
és grande,
ruptura dos céus,
espelho divino,
oh Catedral,
de mim mesmo,
és imortal,
tão enorme tua base,
acabe,
em mim enterrado em ti,
pois de mim 
nasceu a Catedral!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Deixe Ir...

 Por que então me escolher?
Se nem em meu rosto você olha,
se agora tudo está longe de começar
e muito mais perto de terminar.

 Ah meu pobre coração, assim
não posso respirar ar puro,
tenho de usar tubos de oxigênio,
pois o ar agora me falta.


Neste meu desatino de afetos,
quero te soltar coração,
quero que você vá embora,
não preciso te prender em mim.

 Abra tuas asas meu amigo, 
voe para longas distâncias para 
que não te machuquem mais;
um coração livre, não se preocupa com seu antigo dono.

 Mas depois de solto, saibas,
estarei vazio aqui sem você.
 Aguardo uma visita tua, para ouvir você cantar,
e na minha cabeceira, adormecer comigo.

domingo, 8 de abril de 2012

À Tarde Sem Alguém

Sem esperar por mais ninguém,
me sento no banco frente ao mar,
quero fitá-lo,
enquanto penso nos meus erros.

Neste coloquio solitário,
enlevo meus pensamentos aos meus
sentimentos,
os misturo,
os deixo debaixo dos meus pesadelos.

Em último sentido,
esperei e esperei a tarde toda,
no pôr-do-sol, descobri que não viria ninguém,
mesmo em plena sombra da noite.

Me resta contemplar as estrelas.

domingo, 25 de março de 2012

Tarde de Domingo

 
Era Tarde de domingo quando eu visitei o cemitério;
eu visitei teu tumulo,
quis rever as memorias ali,
era um dia nublado desde o despontar da aurora.

Era bem cedo na tarde,
quando ainda quis ir lá,
precisava te rever;
mesmo longe de minhas mãos.

Ainda estava frio, uma garoa calma  e lenta,
quis reviver ao teu lado minhas alegrias,
mas encontrei-me nas tristezas;
todas elas, em ti.

Era apenas... tarde demais para te ver...
mas era ainda... tarde de domingo!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Não ao Amor

Não adentre meu peito.
Não me suspire palavras doces aos ouvidos,
não toque minha mão,
em meus olhos não penetre, e em minha boca,
não encoste a tua;
não quero te magoar,
te quero longe, mas não quero que fujas;
mas não quero amar outra vez.
Fique em silêncio,
somente ele falará por nós,
deixe a noite cair, e a escuridão nos envolver, sem nada a dizer;
sem mais nada.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mente Vaga




Gotas da chuva de sexta,
sombras de uma tarde fresca,
notas do piano solitário,
livre-me por favor deste
terrível sufrágio.

Sentado em frente a janela na noite,
ouvindo o uivo dos grandes coiotes,
no meu quarto,
luz fosca e semiapagada,
leio os antigos manuscritos,
escritos do fundo da minh'alma!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Bastante

Se lhes perguntar de mim... 
você dirá que fui perfeito o bastante?!
Ou ainda duvidará que estarei de prontidão?
Não seria eu teu cavaleiro,
teu anjo nas noites de solidão?
Onde haveria outro que estaria com você sempre?
Seria eu mesmo bom o bastante?
Me responda, este silêncio me mata por dentro,
crucifica meu coração,
não me deixe esperando,
minhas asas querem voar logo;
fui então bom o bastante pra você? Se sim, por que se cala?!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Madrugada À Dentro



Adentrei na noite,
como quem entra no mais
profundo limiar
de um oceano.
Cada circulo de sentimento,
uma experiência no coração,
sentindo todo o tipo de sentimento,
todo tipo de emoção;
era como voltar a vida.
Adentrar a noite, é adentra
na agonia,
agonizar como um moribundo
nos últimos suspiros,
por fim a agonia é o principal,
quem a sente,
sente de forma particular,
sente em suas lágrimas,
em sua raiva,
em seu mais intimo suicídio,
matando em si mesmo,
todo o tipo de sentimento,
restando a casca, agonizante.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Imperiosus Operor Silentium




Desta noite escura
nem estrela nem lua,
nem céu nem terra,
nem mesmo
a floresta,
nem mesmo passaros,
nem morcegos,
nem mesmo o som
do mar;
tudo em silêncio me faz
lembrar,
que o meu pranto
e o soluçar,
também
está em silêncio.

Desejo Na Noite




Nas sombras das árvores,
ao pé do crepúsculo;
vai-se então o dia,
chega a noite;
oh noite
o que se esperar deste
lugar?
Não somente esperar
o sono vir;
já é noite, vou cerrar meus
olhos e não existir.

Essentia



Evaporando minha alma;
expira minha essência,
esvai-se meu ser nestes
suspiros,
oh suspiros leves;
tão silenciosos quanto
a garoa de tarde de inverno,
quanto a brisa tristonha,
quanto a morte vagarosa;
cada gota que se vai,
é meu ser que evanesce,
que vai fluindo no ar;
logo eu penso,
logo eu desapareço,
somente minha alma esvai,
meu corpo se desfaz no nada.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Aprecie



Palavras não são necessárias;
nem mesmo o som que sai
da boca, vai permanecer
por muito tempo.
Sente e feche os olhos,
ouça o grito da noite,
o toque da Lua,
os sopros da natureza,
a melodia sombria
que ainda espera
para ser ouvida.
Aprecie.