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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Aos Poucos

É tão seco este ar;
e esta doença que me corroí,
me devora aos poucos, estou sedendo cada vez mais;
não posso mais andar,
minhas pernas estão mortas,
não posso me arrasta,
meus braços já estão necrosados;
este vírus 
que me atacou, tem um nome;
terrível: Tristeza.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O Ponto de Interrogação

Sabe o que é andar e não saber onde ir?
Correr sem saber o destino,
pensar sem ter um foco,
se entristecer e não ter motivo,
olhar tudo com uma péssima lembrança,
se corromper sem ao menos lutar,
se deprimir sem ao menos se suportar,
ou mesmo se lamentar sem ter o que de infeliz,
motivos são muitos,
atitudes são poucas,
uma única vida, decepções... 
são milhares.

sábado, 2 de junho de 2012

Contos da Noite

Reascenda a chama que jás apagada senhor;
reavives o fogo que queima em meu coração,
ataudes vazios, jás ressuscitados os mortos, ou
vagueiam os vampiros na escuridão?

Oh arqueiros das antigas gerações donde vieram vós?
Armados de suas flechas assassinas,
alarmais os ventos
com os sibilosos cortes de tuas armas,
oh varais o peito dos monstros notifagos.

Oh que esta noite terrível não finda,
meu coração jás na treva eterna,
no frio gelo de inverno;
queiras mil vezes que eu morra,
queiras eu mil vezes que eu suma;
prefiro não estar mais aqui.

Depois de viver esses horrores da noite, 
correr para longe,
é o mais provável, mas a dor de viver
continua a me acompanhar,
com posso ainda estar correndo,
com o coração sangrando de dor?

Vidas passam e eu aqui,
sofrendo minhas tristes e miseráveis lembranças,
queira um dia ver a aurora,
queira um dia morrer sob o sol quente,
queira um dia as flores da primavera
enfeitar meu túmulo;
queira um dia eu fechar meus olhos,
e cerra-los na paz das flores!


terça-feira, 29 de maio de 2012

Tristesse

De todo o escuro te juro,
não voltarei mais;
quero agora ir embora,
meu coração, despedaçado
pelas tuas mãos, cada pedaço,
eu levo comigo;
indeciso, vou indo embora,
já não desejo mais
viver entre vocês,
quero agora estar nas trevas,
longe de todos vocês;
decai demais,
fui até o mais profundo nível da solidão;
vi a tristeza segurar meu coração,
e concertá-lo,
mas deu-me ele azul,
agora morto;
ora vivia em calor,
agora jaz no frio e na morte;
sofrimento, derrotado,
sou o fracasso que a vida não quis mostrar!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Dentro de Si

Meu coração vazio,
assim é como me sinto;
sou uma casca vazia,
que vaga sem rumo;
não posso decidir mais,
quero ainda saber
onde foi que meus sentimentos
foram parar.

Acho que me perdi,
dentro de mim mesmo;
não sei como voltar, 
não consigo me lembrar,
tantas curvas,
tantos lugares,
todos iguais,
não sei onde eu estou;
sem mapa, sem nada,
estou sem nenhum 
senso de direção,
eu estou confuso comigo mesmo.

Não posso entender como pude
ainda mesmo me perder em mim;
eu achava que me conhecia,
mas armei uma cilada
em que eu era o caçador e vítima,
por onde eu vou?
Sem saber onde,
ou quando?

Pressinto que não vou sair
daqui vivo;
devo continuar ou devo me localizar?
Não importa; dentro de mim,
sou um labirinto sem fim,
vou morrer se não sair,
mas é melhor do que fazer
falta e não fazer sentido.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Em Nome Do Adeus!

É duro dizer Adeus;
dizer mais ainda para quem é um amigo fiel,
dizer para quem já não vive,
dizer para um amor que se foi.

Adeus, é como uma flecha agudíssima,
ao ser disparada, ela voa rápido sem barulho,
ao acertar o alvo, sua estrondosa força
arranca a vítima do seu estado de consciência.

Aaah Adeus dolorido,
uma palavra, um assassinato;
adeus, um tiro que se dispara,
muito se mata com ela,
muito se abandona.

Palavra de pontas malditas, cada canto dela,
um veneno a ser despejado no coração, 
quisera não ser mais pronunciada,
já matou tantos corações, matará a muitos ainda;
se não for silenciada.

Mas mesmo isto, o adeus, nos ensina
o caminho para fora;
é lá fora que temos que morrer
para poder viver oura vez!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Horizonte Negro


 
16:00hs e eu neste solitário cais, 
imaginando como me extinguir,
já desejo passar o além longe,
querer me enxergar mais fora de mim;
evanescer deste corpo frágil.

17:00hs mais uma hora passada, 
muito frágil para viver aqui,
ah dor, é apertado sentir tristeza, 
o coração quer explodir.

17:55hs, está escurecendo,
não se dá pra ver muito,
queria poder voar para longe,
não precisar enxergar ou olhar
pra trás, viver com os humanos
é corromper-se.

18:00hs agora já se foi o sol,
só o mar e eu,
nada além de um oceano potente,
e um humano qualquer,
neste escuro, somente uma triste e silenciosa
brisa sopra,
uma linha separa a vida, da morte!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Atrelado

Será amargo este lugar,
solitário e vazio,
eu aqui viverei,
tocarei meu violino quando a tristeza vier;
de noite , acordo meus pensamentos,
me afundo nas minhas dores,
me afogo nos soluços de minhas lágrimas,
me destruo em minhas raivas,
me deprecio nas minhas infelicidades;
querido violino,
acompanha-me neste último prelúdio. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fio Da Navalha

Se eu vier a ver o pôr-do-sol de novo,
deixarei minha alma ir junto.
Se eu ver mais uma vez minhas inquietudes me tomarem,
meus terrores noturnos atingirem um
nível de loucura sem fim, 
se eu não conseguir mais segurar minhas correntes,
já não poderei mais dar garantia de minha vida,
sou tão perigoso quanto um assassino,
sou uma ameaça a mim mesmo, a navalha é bem afiada, 
quando ela deslizar
pelo meu pulso, sentirei seu toque frio.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Cada Passo


Cada dia andando pelas ruas,
me perco, de mim mesmo digo adeus.

Em momento algum, me permito olhar pra trás,
cada passo já foi dado; não se recorda.

Crucificando-me em cada esquina,
em cada passo, em cada dia nublado.

sábado, 26 de novembro de 2011

Silêncio das Ruínas




Nos restos que antecedem
este fim,
os pedaços do espelho
refletem mil partes
de mil mundos, de mil
pessoas, de mil situações.

Ao largo deste arruinado
império, só resto vaguear acorrentado
as péssimas lembranças,
aos sopros do vento,
sentindo seu frio
toque,
e ouvindo seu uivo desesperado.

Nas ruínas do castelo,
em pé, frente ao mar,
desafio o horizonte,
desafio o oceano,
com a coragem de mil leões,
com o coração de um pobre humano.

Segredos



Dizia eu para a escuridão:
_ Estou morto!
Confessava, isto
e outras coisas mais.

Contava meus segredos,
falava ao vento,
todos os meus delírios;
contava a ele minhas mentiras.

Fazia segredos com as trevas,
ninguém ouvia,
todos ficavam quietos.